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As Histórias e Lendas de Leiria

Segundo a rima popular, Leiria tem um rio que corre para cima, uma torre que não tem Sé, uma Sé que não tem torre e uma Rua Direita que o não é.

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Castelo de Leiria | Foto de Carlos Paço

Para D. Afonso Henriques, primeiro conquistador cristão de Leiria em 1135 e o fundador do seu castelo, o local constituía a sentinela avançada para a sua estratégia de conquista de Santarém, Sintra e Lisboa aos Mouros, o que viria a acontecer em 1147.

Durante mais de meio século Leiria voltaria a ser devastada pelas incursões dos exércitos mouros e a sua conquista definitiva só viria a acontecer no reinado de D. Sancho I no final do séc. XII, dando-lhe o monarca o foral em 1195.

Em 1254 D. Afonso III realizou aqui as primeiras Cortes com a presença de todos os procuradores dos concelhos do Reino, fato de extrema importância na História de Portugal, pois foi a primeira vez que o povo pôde exprimir as suas reivindicações junto do Rei.

No séc. XIV D. Dinis e sobretudo sua mulher D. Isabel, a Rainha Santa, residiram por diversas vezes no castelo, talvez por o considerarem uma aprazível residência com largas vistas para os encantos da paisagem em redor.

A ação do rei ficou marcada pela implantação do pinhal de Leiria ao longo da zona litoral para proteção das dunas arenosas. Os seus pinheiros bravos viriam a fornecer a madeira e o pez para a construção naval portuguesa, sobretudo durante o período dos Descobrimentos e ainda hoje esta imensa mancha verde é um local muito agradável para um passeio.

De todas as Cortes reunidas pelos monarcas portugueses em Leiria a sessão mais trágica terá ocorrido nas de 1438, convocadas por D. Duarte para discutir a entrega de Ceuta em troca da libertação de seu irmão o Infante Santo, D. Fernando, prisioneiro em Tânger. A Assembleia decidiu pelo sacrifício do Infante a troco da manutenção da praça marroquina e o rei, aniquilado pelo desgosto, morreria pouco tempo depois.

Do Castelo medieval a cidade cresceu fora das muralhas num primeiro tempo marcado pela românica Igreja de São Pedro e depois no séc. XVI com a construção da Sé Catedral e da Misericórdia. A cidade expandiu-se então até ao rio Lis e as suas frondosas margens acolheram diversos edifícios religiosos.

Mas só no séc. XIX a cidade de Leiria se iria desenvolver novamente com o estabelecimento da burguesia muito bem retratado por Eça de Queirós, que aqui imagina o “Crime do Padre Amaro”, e sobretudo pela ação de Ernesto Korrodi, que se empenhou em valorizar a cidade. Desde então e até aos nossos dias a urbanização moderna e desordenada mudou a cidade, transformando-a num centro industrial em expansão.

Faça aqui um tour virtual pelo Castelo de Leiria

Curiosidades sobre Leiria

Ao consolidar o seu governo a partir de 1128, o jovem D. Afonso Henriques (1112-1185), planejou alargar os seus domínios, então limitados a norte pelo rio Minho a sudoeste pela serra da Estrela e a sul pelo rio Mondego. Para esse fim, a partir de 1130, invadiu por diversas vezes o território vizinho da Galiza a norte, ao mesmo tempo em que se mantinha atento à fronteira sul, constantemente atacada pelos mouros.

Histórias e Lendas de Leiria

Lenda dos Corvos

Esta é uma lenda que se passa no reinado de Dom Afonso Henriques, que tinha por hábito participar em inúmeras batalhas, sendo o ponto nevrálgico o Castelo de Leiria, que era bastante cobiçado por todos os invasores, dado a sua localização ser excelente.

Numa altura andava o soberano a treinar as suas tropas, quando se cruzou com um grupo de Castelhanos. O monarca tinha poucos homens, contudo, com esse punhado de homens, logo cercou a zona que pretendia defender.

Acontece que quando os guerreiros de Dom Afonso viram chegar os Castelhanos ficaram demasiadamente desanimados, atendendo à desproporcionalidade. Os outros eram em número bastante elevado, e eles muito poucos e já sem coragem para lutar. Nesta altura surge um corvo a sobrevoar toda aquela zona, acabando por pousar no sítio onde se encontravam os soldados portugueses. Aqui, começa a bater as asas e a fazer aqueles ruídos característicos, como se estivesse a cantar.

Os soldados pensaram que aquilo seria um agoiro, mas um agoiro bom (?) para lhes trazer coragem e vencerem a batalha. E conseguiram …

Eles defenderam o castelo, lutaram heroicamente, ganharam a batalha, saindo do local vitoriosos.

Dizem que é por esta razão que na bandeira da cidade do Lis estão dois corvos pretos e que eles foram a origem de várias vitórias na hoje cidade de Leiria, que à época ainda não o era.

O milagre das rosas

Era uma vez…uma Rainha que vivia, com o seu Rei, no Castelo de Leiria.

D. Dinis herdou um reino carente de reconstrução, de repovoamento, de agricultura, de comércio, duma armada…Para isso necessitava de muito dinheiro e o tesouro estavam com dificuldades.

A Rainha Isabel, por sua vez, era muito generosa. Cuidava dos doentes, dava esmolas aos mais necessitados. A sua generosidade era tão exagerada, que o rei proibiu que os pobres se aproximassem do castelo.

Quando o Rei saía para as sementeiras do pinhal, a Rainha distribuía os seus donativos.

Um dia a Rainha levava, na sua roupa, uma certa quantia de moedas para os pobres, eis que surge no seu caminho, o Rei. Este, que era sabedor da excessiva generosidade diária da Rainha, perguntou-lhe:

– Que levais no regaço, Senhora?

– Rosas, meu Senhor! – Respondeu a Rainha.

– Rosas? Como vos atreveis a mentir, Senhora? Rosas em Janeiro? – Perguntou o Rei muito admirado.

A Rainha, serenamente, estendeu o manto e todas as moedas se transformaram em rosas viçosas que lhe caíram do regaço.

– Vede, Senhor… Vede com os vossos olhos!

El-rei D. Dinis olhava espantado para as flores que nem conseguia pronunciar uma palavra. Por fim, disse:

– Perdoai-me, Senhora, se vos ofendi…Mas nunca tinha visto rosas tão lindas em Janeiro!

O Rei afastou-se e a Rainha, erguendo os olhos ao céu, agradeceu a Deus.

A menina Maria

 Há muitos e muitos anos, num país muito distante, vivia um rei com três filhas, num lindíssimo palácio todo feito de cristal.

A menina mais velha era a Antonieta, a do meio era a Joaquina e a mais nova era a Maria. Eram umas meninas muito meigas, obedientes e sobretudo amigas do pai. Viviam com o desgosto de a mãe ter morrido com uma doença.

O pai, para tentar que as suas filhas fossem felizes, casou-se com uma senhora que tinha uma filha da mesma idade que elas.

Certo dia, o rei e as duas filhas mais velhas fizeram uma viagem a África e a mais nova ficou a cargo da madrasta.

Passados sete dias, a menina recebeu a notícia que o pai e as suas irmãs tinham morrido.

A madrasta tornou-se má para a menina, obrigava-a a ir trabalhar no campo junto com os camponeses e a fazer o trabalho do castelo com as escravas, enquanto a sua própria filha descansava.

A menina, farta da maldade da madrasta e da vida que tinha, preparou as suas coisas e fugiu da floresta. Não sabia para onde iria nem o que lhe iria acontecer.

Andou, andou, até que encontrou no meio da floresta uma casa onde foi bater. Apareceu-lhe uma senhora velha e viúva, que lhe deu abrigo e comida por muitos anos.

Numa tarde de Primavera, andava a Maria pela floresta e encontrou um príncipe em cima de um lindo cavalo branco, que a levou para o seu castelo.

Passeava Maria no seu jardim, quando um homem muito fraco lhe pediu um pedaço de pão. Maria levou-o para o castelo.

Uma vez sentados à mesa, Maria não hesitou em perguntar–lhe qual a razão que o levava a andar de terra em terra. Ao que o homem respondeu que andava à procura da sua filha.

Maria curiosa perguntou-lhe como é que se tinham desencontrado. O homem contou-lhe todos os pormenores e no fim concluíram que eram pai e filha.

Ficaram muito felizes e Maria perguntou logo pelas suas irmãs e porque é que tinha tardado tanto.

O pai respondeu-lhe que as irmãs se encontravam bem e que ele não tinha voltado mais cedo porque a madrasta tinha dito que se ele voltasse ela lhe matava a filha.

Prepararam as façanhas, com ajuda do príncipe e expulsaram a madrasta e a sua filha do castelo.

O rei, as suas filhas e a velha viúva voltaram para o castelo onde Maria ficou com o seu príncipe e todos viveram felizes para sempre.

Naira Amorelli
Naira Amorelli
Naira Amorelli, Travel Writer, Turismóloga e publicitária é uma apaixonada por Portugal e vive a sonhar com novas descobertas pelos caminhos mais escondidinhos do país. Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes. Havendo reprodução total ou parcial favor citar a fonte: www.portaldeportugal.com.

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