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Descubra Portugal: a tradição do Lenço dos Namorados

Em minha primeira viagem para Portugal, ainda sem conhecer muito de suas tradições, eu me deparei com uma lojinha pequenina e aconchegante na cidade medieval de Guimarães onde muitos lenços de linho, bordados e coloridos, estavam expostos com destaque e muita delicadeza. Me diriji até a senhora que estava a bordar do lado de fora para ter alguma informação sobre aqueles lindos e delicados lenços. Logo, eu a senhora estávamos a conversar como se fôssemos duas velhas conhecidas, entramos na loja, tomamos um chá, sentamos e ali ficamos por quase duas horas conversando. Nesse tempo, fiquei sabendo de sua história de vida, mas principalmente o que faz do Lenço dos Namorados ser, até hoje, uma das mais belas tradições portuguesas.

Basicamente o Lenço dos Namorados é um lenço fabricado a partir de um pano de linho fino ou de lenço de algodão, bordado com motivos variados. É uma peça de artesanato e vestuário típico da região do Minho, sendo usado por mulheres com idade de casar. Era hábito entre as meninas apaixonadas bordar o seu lenço e entregá-lo ao seu amado quando este fosse se ausentar da vila, da cidade, por alguma razão. Geralmente, quando iam estudar em outra cidade.

Nos lenços, eram bordados versos e vários desenhos, alguns padronizados, tendo simbologias próprias.

Lenço dos Namorados

Diz-se que a origem do “Lenço dos Namorados” remonta aos séculos XVII – XVIII, quando as Senhoras bordavam para passar tempo, sendo que, ao longo dos tempos, foram sendo adaptados para as mulheres do povo. No início, estes lenços, faziam parte do vestuário feminino e tinham apenas uma função decorativa. Eram lenços quadrados, de linho ou algodão, bordados conforme o gosto de cada um.

No entanto, estes lenços, tinham outra função: a conquista do namorado. Uma menina, quando chegava à idade de casar começava a bordar um lenço em linho ou algodão.

Depois de bordado, o lenço era entregue ao namorado ou “conversado” e o fato dele usar publicamente ou não, que se decidia o namoro. Se ele aceitasse, poria o lenço por cima do seu casaco domingueiro, colocava-o ao pescoço com o nó voltado para a frente, usava-o na aba do chapéu.

Caso contrário, o lenço voltaria às mãos da menina. Se por acaso, ele aceitasse mas, mais tarde, trocasse de parceira, fazia chegar à sua antiga pretendida o lenço, e outros objetos que lhe pertencessem, como fotografias, cartas.

Os lenços, representam o sentimento da menina em relação ao rapaz, no qual ela escreve pequenos versos de amor, ou símbolos. Damos conta muitas vezes, de erros ortográficos nestes lenços, que denunciam a falta de instrução da época. 

Lenço dos Namorados

Sendo bordados a ponto cruz, estes lenços eram muito trabalhosos e morosos, obrigando a “bordadeira” a ser muito paciente e cuidadosa na sua confecção. Com o passar dos tempos, foram-se adotando outros tipos de pontos mais fáceis e rápidos de bordar. Com esta alteração a decoração inicial dos lenços modifica, as originais cores de preto e vermelho, vão dar origem a uma série de outras cores e outros motivos de decoração. Porém, não se perdendo nunca, o objetivo principal.

Hoje, você pode encontrar lindos Lenços dos Namorados bordados em muitas lojas por todo Portugal, mas na hora de comprar, tenha muita atenção, uma vez que os chineses também resolveram falsificar os lenços na intenção de torná-los mais baratos. Aí, muita gente cai na armadilha, achando que está comprando um produto genuinamente português, contribuindo com os artesãos e na verdade está comprando uma imitação barata, feita muitas vezes com mão de obra escrava, como bem sabemos.


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Naira Amorelli
Naira Amorelli
Naira Amorelli, Travel Writer, Turismóloga e publicitária é uma apaixonada por Portugal e vive a sonhar com novas descobertas pelos caminhos mais escondidinhos do país. Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes. Havendo reprodução total ou parcial favor citar a fonte: www.portaldeportugal.com.

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