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6 capelas dos ossos que você precisa conhecer em Portugal

À entrada o olhar perde-se numa inscrição. É um aviso para quem entra, uma lembrança de que tudo passará. No interior, um estreito corredor inquieta, parece ainda mais apertado do que à entrada. Há centenas de crânios a encher a sala. Uns empilhados, outros a fazer de colunas, de abóbadas, de muralhas. Há ossos de crianças, adultos e duas múmias retorcidas. Contemplam os vivos e aguardam-nos, dizendo que um dia também eles serão pó.

Macabra, bizarra e sobretudo inquietante. É assim a capela dos ossos de Évora e a imagem que deixa na cabeça de quem a visita. Mas apesar de tudo, os visitantes amontoam-se à porta. Compram o bilhete, pegam na máquina fotográfica e captam o momento. É o fascínio do macabro que continua a atrair centenas de visitantes todos os anos à igreja de São Francisco. Não tanto pela igreja, mas pelo que se encontra no seu interior. Centenas de anos depois da construção, a capela dos ossos continua a exercer o mesmo papel para que foi concebida — apelar à reflexão, não só sobre a morte mas, acima de tudo, sobre a vida.

>>  Leia aqui nossa matéria sobre a Capela dos Ossos  <<

A construção de capelas dos ossos, assim como de qualquer monumento religioso cristão, está ligada com o cristianismo e com a relação deste com a morte. Desde sempre que esta é um pouco ambivalente — apesar de representar o desaparecimento da vida terrestre, a morte é também uma passagem para uma outra vida, mais completa e plena. Se por um lado deve ser encarada com alguma tranquilidade espiritual, por outro representa sempre um “trauma”.

É esta atitude ambivalente que leva a tradição cristã a encarar a ideia da morte com alguma esperança, mas também como uma lembrança. À entrada de muitas capelas surgem as palavras “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. A frase pode parecer macabra, mas não passa de uma mensagem para os vivos. É uma lembrança de que a vida é efêmera e que um dia também eles serão apenas ossos.

Ao longo da história do cristianismo, surgiram várias devoções e tradições que refletem o fascínio e o terror que a morte provoca. Estes fenômenos religiosos encontraram na cultura do barroco um ambiente propício ao seu desenvolvimento. O barroco tem uma espécie de paixão pela morte e valoriza muito a ideia do memento mori — a ideia de que a morte é inevitável e que, por isso, a conduta moral e ética deve ser articulada tendo isso em conta. Foi nesta altura que surgiram a maioria das capelas dos ossos e ossários subterrâneos, menos vulgares em Portugal.

A mais famosa é a capela dos Ossos de Évora mas, ao contrário do que muita gente pensa, não é a única em Portugal. As capelas dos ossos começaram a surgir durante o século XVII, não só em Portugal mas também um pouco por toda a Europa. Permitiam, de forma simbólica, transmitir a ideia de que a vida não termina na Terra mas continua no paraíso prometido por Deus na bíblia. Por isso mesmo se utilizavam ossos humanos, para que quem entrasse na capela pudesse sentir que há mais vida para além da morte.

Capela dos Ossos de Alcantarilha

A Capela dos Ossos de Alcantarilha situa-se anexada no lado sul da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição do século XVI, no centro histórico da bonita freguesia de Alcantarilha, em plena região Algarvia.

O seu interior está praticamente todo revestido e ornamentado por mais de 1500 ossadas humanas, com exceção do trabalho de escultura da figura de Cristo Crucificado datada do século XVI.

Há quem diga, embora sem qualquer comprovação válida, que estas ossadas seriam de frades Jesuítas que pereceram pela região.

Capela dos Ossos de Faro

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo de Faro é uma majestosa construção barroca com torres que foi finalizada em 1719, durante o reinado de D. João V, que foi financiada (e decorada no seu interior) com ouro brasileiro.

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A fachada foi terminada depois do terremoto de 1755, e depois dele, junto ao exterior encontra-se a macabra Capela dos Ossos, construída com ossos e caveiras de mais de mil monges como recordação sinistra da mortalidade.

Capela dos Ossos de Lagos

A Igreja de São Sebastião é um edifício religioso, localizado na cidade de Lagos, em Portugal. O edifício apresenta um altar com talha dourada, um corpo de 3 naves, separadas por arcadas com colunas dóricas, e capelas laterais e colaterais, igualmente decoradas com talha dourada. Anexada à igreja, encontra-se a Capela dos Ossos, de reduzidas dimensões, no estilo joanino.

Capela dos Ossos de Campo Maior

Adossada à bela Igreja Matriz de Campo Maior, a Capela dos Ossos de Campo Maior é a segunda maior do País, encontrando-se a maior na bem famosa Igreja de São Francisco em Évora.

Datada de 1766, a Capela foi construída após a destruição da cidadela com uma explosão num paiol, tragédia onde pereceu mais de dois terços da população, em 1732.

O seu interior está totalmente revestido com as ossadas das vítimas desta tragédia, sendo o pavimento datado já do século XX.

Capela dos Ossos de Monforte

É menor que as anteriores capelas de ossos, sendo a sua área muito diminuta – 4,30 metros quadrados. Como as anteriores está revestida no seu interior de muitos ossos e crânios. Encontra-se junto da igreja matriz.

Capela dos Ossos de Évora

A Capela dos Ossos é um dos mais conhecidos monumentos de Évora. Está situada na Igreja de São Francisco. Foi construída no século XVII por iniciativa de três monges que, dentro do espírito da altura (contra-reforma religiosa, de acordo com as normativas do Concílio de Trento), pretendeu transmitir a mensagem da transitoriedade da vida, tal como nos alerta o célebre aviso à entrada: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

Matéria publicada originalmente em Vortex Magazine


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Redação
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